São raros os dias em que não me sinto impelida a me esconder de pessoas que conheço, para me camuflar no meio da multidão que se acotovela na plataforma da estação só para não ter de falar a alguém do passado, alguém conhecido, com quem me sinto obrigada a trocar um educado cumprimento só porque tem de ser, só porque um dia fomos apresentados ou porque é vizinho da minha mãe e viu-me meia dúzia de vezes.
Sinto-me antisocial em dizer isto mas faço-me de distraída quantas vezes forem precisas para evitar cumprimentos vagos que por vezes dão abertura a conversas de circunstância sobre o tempo, a troika ou "o raio dos comboios que andam sempre atrasados".
Por fazer o meu caminho como uma idiota distraída acabo por não reparar em quem não quer reparar em mim, até hoje, no momento em que, um passado tão recente e em processo de esquecimento, caminha no mesmo sentido que eu. Embora pense que o faz de modo disfarçado percebo que acelera à minha frente num passo que transmite a mesma ideia que eu quando me escondo das pessoas que conheço e que pretendo evitar "se não te vir, não te tenho de falar".
Um sorriso prende-se nos meus lábios, um dos tristes.
Reconhecer o que nos faz mal deve ser um dos primeiros passos para a cura de qualquer que seja a nossa obsessão ou vício. Eu não sei precisar, não sou fã da área de Auto Ajuda mas sempre fui uma mestre na arte de me massacrar com o que me faz mal, com o que me dá a volta à cabeça.
Vejo-o a descer as escadas do metro como se este fosse o ultimo comboio do dia. Sei que aquele andar acelerado, é apenas uma maneira rápida de o cérebro ir contra o que o corpo pede.
Disse-me um dia "tenho o vicio de ti", ri-me, "parece o título de uma música", ele olhou-me tão sério e nesse momento senti que tudo escapou do meu controlo.
Estamos tão perto mas faz semanas que não o vejo. Sei que a minha presença o distrai, sempre distraiu. Sei que quanto menor a distância mais impossível fica de resistir ao impulso de me tocar, de passar a mão no meu cabelo, de me fechar num abraço e quem sabe, num acto de loucura, roubar-me um beijo.
Ambos sabemos o quanto a proximidade pode arruinar os limites impostos, e por vezes, nem a distância que nos esforçamos para manter é suficiente para impedir que, a qualquer momento, se sucedam nas nossas vidas eventos que as destruam por completo.
Parece drástico, mas o desejo isolado da razão tem apenas dois caminhos, o da satisfação pela destruição e o da auto comiseração. Estamos ambos neste última página, a de sentir pena pela situação que criamos, faz quase um ano. O meu namoro de 2 anos e o seu casamento de 5 não combinam com os pensamentos que nos assaltam, nem com a vontade iminente de nos consumirmos quando os nossos olhares se cruzam, os nossos braços se tocam naquela sala minúscula onde mensalmente o Director decide reunir todas a equipas para aquilo que ele chama "um incentivo". Não me recordo de uma única vez que tenha conseguir prestar atenção, pelas vezes que não tiravas os olhos de mim e pelas outras em que não os conseguir desprender de ti.
Saber-te no mesmo edifício já custa, quanto mais na mesma sala que eu, por vezes, por casualidade do destino, exactamente ao meu lado.
Bendita altura em que mudaram a vossa equipa para outro andar, foi-me mais fácil direccionar a minha atenção para o trabalho e agora são raras as vezes que nos vemos ou que temos de falar um com o outro e eu penso que sim, que ajuda, que como diz o outro "incentiva".
Ainda absorta neste pensamento, na recordação do calor da tua pele, vejo-te entrar na carruagem no exacto momento em que a porta se fecha. Sinto que do sorriso, por mais triste que fosse, já nada resta. Fica no olhar o que não posso dizer em voz alta, nas palavras que de qualquer maneira me custam a sair.
No momento em que o metro arranca olhas para mim por uma fracção de segundo. Compreendo no teu olhar o que tenho medo de reconhecer em mim, nos meus pensamentos. Sei que se continuar a olhar para ti, a pequena chama que existe entre nós vai pegar fogo a tudo em seu redor, vai evoluir de uma atracção para algo que não poderemos deixar que aconteça e que se suceder, não iremos querer controlar.
Fechas os olhos e agarraste ao poste como se de uma bóia de salvação se tratasse. E eu fico.
Dizem que tudo passa, e isto sim, um dia esmorece e um por fim passará. Também um dia será passado, e veremos diminuir este vício de ti.
“What you are is a complicated girl with simple needs. You need your
books and time to read, and you need a few friends and you need
someone-not to take care of you, but to care for you. If you have all
those things, you’ll always be alright.”
Game of Thrones (3º temporada do que podem ser 7 belas temporadas)
Vampire Diaries (4ª temporada finalmente com o que eu espero desde a 1ª e desde que li os livros!)
The Borgias (estou a actualizar-me e renova para a 3ª...ai Cardinal Borgia!)
Anatomia de Grey (oh yeah!!)
Once upon a time (2º temporada, bring it on!)
HOW I MET YOUR MOTHER (renova para a 8ª....e 9ª temporada....qualquer dia acho que estes gajos são meus amigos de infância, adoro!)
adeus Secret Circle e Ringer
:(
talvez deva substituir por
ou
e isto do início porque tenho visto bocados da segunda temporada e quero ver TUDO
o que me recorda que estou atrasada na minha Anatomia de Grey (sim sei, fim da temporada é mesmo de corta à faca, já ouvi dizer!) e o meu Hawaii 5-0, estou em falta na minha dose semanal de McGarrett
a minha maratona semanal de séries tem de ser reorganizada
e a minha vida social continua a dar provas da sua inexistência