sábado, 26 de abril de 2014

Capacidade de me auto surpreender

Tenho andado tão desligada deste blog que decidi pegar em todos os rascunhos (mais de 20) para ver o que continham e decidir se são publicados ou eliminados.
Fico parva com a minha capacidade de esquecer o que escrevi e ainda mais surpreendida por me ver entusiasmada com um texto escrito algures em 2012 e que me pergunto seriamente "porque raio o deixei aqui sozinho?! porque não o desenvolvi?!"

Quem é a Ana? Quem é o Ricardo? Raios, quem é a narradora?
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Tínhamos combinado uma ida ao cinema mas nem chegamos a entrar na sala. Ele chegou adiantado, bebia eu um sumo no bar com um olhar perdido num ecrã a passar trailers. Nem me deixou terminar a bebida, pagou e disse simplesmente que o ia seguir, tinha feito uma mudança de planos e a noite estava por sua conta. Não estranhei, há muito tempo que o conheço e estas reviravoltas eram comuns quando se vivia um dia a dia em que o Ricardo entrava, mas desde que namorava com a Raquel deixamos gradualmente este tipo de histórias. Pensei que talvez tivesse alguma coisa importante para me contar e a sala de cinema não poderia conter a sua emoção, fosse de felicidade ou tristeza. Foi exactamente assim quando me disse que ia desistir de Medicina, quando o pai faleceu ou quando decidiu embarcar um mês para ir viver com os tios em Inglaterra. Estas mudanças de planos repentinas eram sempre anúncio de uma qualquer mudança na sua vida e eu aceitava sempre estas urgências de última hora, de correr para apanhar um comboio para o Porto a 30 minutos da sua partida ou sair de casa às 3h da manhã porque era nesse momentos que o mar ia estar perfeito para começar a surfar. Aceitava porque era a única a quem ele procurava para partilhar estes momentos, não só porque tinha a certeza que eu nunca dizia não mas como sabia que era exactamente quem deveria estar presente naquele grande momento. Aceitava porque era exactamente onde eu queria estar. Nunca tinha percebido era que estava exactamente com quem queria estar.
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Devia ter cabeça para continuar estas coisas.

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