quarta-feira, 3 de abril de 2013

São sorrisos, beijos, abanões e chapadas.

Aos livros que lemos, dobramos cantos, sublinhamos até à exaustão e temos vontade de reler sempre que possível.
Este terá de ser um deles, não num todo mas nas partes que são sorrisos, beijos, abanões e chapadas.

Hoje decidi escrever à mulher que amo. À mulher que ainda não sei que amo – mas que um dia vou amar. Decidi escrever-lhe para lhe dizer, antes de que ela me encontre e de que eu a encontre, aquilo que quero que ela seja – aquilo que quero que ela me seja: aquilo que exijo que ela me seja. Hoje decidi escrever à mulher que amo e dizer-lhe que, se quer ser a mulher que eu amo, tem de me amar como eu a amarei. E será assim que eu amarei: sem freio, sem parar um segundo que seja de pensar
nela, sem parar um segundo que seja de a querer aqui, ao meu lado, em carne, em osso, em pele - ou então simplesmente numa chamada telefónica, numa mensagem de telemóvel, num e-mail que seja. Ouve, mulher que vou amar: se queres amar-me e fazer-me amado nesse amor de nós, ama como amar tem de ser, como amar só pode ser. E amar só pode ser sem parar, sem descanso, sem um segundo que seja de abstracção. Amar é com urgência, amar é com pressa, com pulsão. Amar com tranquilidade é gostar muito. Amar com tranquilidade é, no máximo, adorar bastante. E gostar muito e adorar bastante não chega. E gostar muito e adorar bastante não me chega. Eu sou por amar. Sem condições, sem tempo, sem escalonanento de prioridades. O amor não está sujeito a prioridades. O amor é um sujeito chamado prioridade. O amor, quando se ama, não ocupa tempo – é o tempo. Porque só assim é que chega a tempo. O amor, quando se ama, não se compadece com “tenho de fazer isto e depois venho amar-te” ou com “amanhã à noite amamo-nos”. O amor não se compadece – o amor, quando se compadece, adoece. Mirra, fica pequenino, murcha. E cai. E morre. O amor morre por falta de amor real. Essa é que é a realidade.

in "EU SOU DEUS"


Vejam a crítica no Efeito dos Livros

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