sexta-feira, 1 de março de 2013

Sempre a sair da linha


Prometeu a si mesma que iria deixar de ler romances que tinham mais sexo que história mas cada vez que terminava um, só queria pegar noutro. Era uma tentação a que não conseguia resistir e essa tarde, ao chegar à estação optou por escolher um lugar mais isolado no comboio. Fartava-se de tentar esconder o conteúdo da sua leitura.
Entregou-se às paginas do seu livro, consciente do tempo que tinha disponível, quando após algumas linhas sentiu uma tremenda vontade de levantar os olhos do livro, como se existisse uma força que a puxava. O que captou a sua atenção foi a visão do homem ideal de fato à sua frente que estava a ler e isso não só a atrai física como intelectualmente. Para ela, ler é algo sexy e ainda mais num homem que lia algo que ela conhecia da capa à contracapa, um dos últimos romances eróticos que tinha lido.
Sorriu perante a lembrança das cenas explicitas que ficara a conhecer e sentiu um suave arrepio por pensar que ele estava a ler o mesmo. Estaria a visualizar tudo, como ela fazia? Estaria a pensar em chegar a casa e possuir quem o esperava? Seria ele capaz de aguentar ali impávido e sereno ou iria sair dali cheio de tesão?
Sentiu-se tentada em lhe dizer alguma coisa mas naquele momento já o fitava com um sorriso que espelhava os pensamentos obscenos que corriam a toda a velocidade na sua cabeça. A imagem daquele homem à sua frente começou a ganhar contornes na sua mente, enquanto ele se levantava, pegava nela pela mão e a puxava para a casa de banho do comboio. Ainda a porta se fechava já a tinha encostado à parede, encurralando-a com a sua boca quente e um odor excitante e masculino. Com uma mão prendeu-lhe os braços sob a cabeça e com a outra explorava-lhe o corpo macio, quente e sedento de atenção. Apalpou-a com uma intensidade assustadora, sendo capaz de a devorar só com a boca naquele preciso instante. O desejo louco que os controlava era suficiente para os fazer esquecer as pessoas lá fora e o risco que corriam de serem apanhados, quando a porta abre….
Acordou ofegante e sentiu os olhos dele cravados nela. Teria deixado transparecer o que fantasiou momentos antes? Humedeceu os lábios, a trepidação do comboio estava a atormentá-la. Como é que em tão pouco tempo ficará tão excitada ao ponto de pensar em pegar naquele estranho e sair dali? Já nem pensava em chegar a casa, até o wc lhe parecia ideal para saciar a fome que a consumia, para acalmar o calor que invadia todos os membros e lhe incendiava o centro do corpo.
Mexeu-se no assento, temia que ao se levantar as suas pernas cedessem à fraqueza causada pelo desejo mas nesse momento foi ele que se levantou, passou por ela e sorriu cúmplice porque nos seus pensamentos, também ela se contorcia de prazer e ansiava por mais que uma breve troca de olhares.

:)
Escrito por Elsa Rodrigues
Para Passatempo "As 1001 Fantasias mais Eróticas e Selvagens da História" do Blog Crónicas de uma Leitora

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