terça-feira, 10 de abril de 2012

Como dizer sempre a mesma coisa em 47 páginas?


Hoje ouvi o comentário de uma amiga que diz ter sofrido horrores para aguentar as primeiras 47 páginas de um livro da margarida rebelo pinto (Nunca me esqueci de ti).
Pois o título que a amiga disse, está incorrecto e pelo que googlei, deve ser algo como o Dia em que te esqueci

Como apenas li um dela e jurei que não valia a pena perder mais tempo com os restantes, fiquei a pensar (não, não em ler o livro!) mas fiquei divertida a pensar como escrever 47 páginas sem sair da ideia do nunca me esqueci de ti. O tema talvez seja um pouco aborrecido, nos lamentos do "oh meu amor que me atormentas a alma com a tua ausência" mas achei que, por falta de vontade para começar uma nova leitura, propus a mim mesma um desafio. E que tal escrever, não 47 páginas mas quem sabe 47 linhas ou até 470 palavras sobre este mesmo tema "eu nunca me esqueci de ti" tão redundante como acho que a Margarida é nos seus livros. Que tal começar com essa mesma frase e conseguir escrever algo que nunca diga mais nada a não ser que por mais 1000coisas que faça, nunca me vou esquecer de ti!?

Challenge accepted :)


Eu nunca me esqueci de ti (enah olha uma uma frase!)
Ainda acordo todos os dias a pensar que te vou encontrar na almofada ao meu lado mas todos os dias constato que já não lá estás.
Com o tempo que passou, já nem o teu cheiro me envolve quando tapo a cabeça com as mantas e desejo nunca mais ter de sair daqui.
Nesta mesma cama, o local onde mais te amei e onde descobriste cada centímetro do meu corpo pela primeira, apenas e só aqui, consigo sentir a tua essência à minha volta.
Todos os dias preciso de uma grua para me arrancar da cama, dos braços das boas recordações escondidas nestes lençóis.
As recordações são a única coisa que me resta.
Os dias correm sem sentido, uns atrás dos outros.
Vivo-os em modo automático, dormente e cansada.
Já não paro para olhar o sol a passar entre as folhas das árvores, nem as gaivotas à beira rio. Deixei de ir ver os aviões e os comboios a passar, deixei de ir ao cinema por não ter quem partilhar as minhas pipocas. 
A companhia das outras pessoas é-me indiferente, o silêncio é o meu maior aliado mas apenas faz com que os meus pensamentos falem mais alto.
Sou atormentada pela tua voz, o teu riso vindo de todas as divisões da casa.
Ainda hoje encontro coisas tuas, perdidas no meio das minhas e sinto que o tempo para, apenas para me fazer perceber que nada te poderá substituir.
Pior do que me lembrar de ti todos os dias, é sentir a minha própria mente me engana com vislumbres da tua pessoa.
Sinto o sangue a correr cada vez que penso que te vejo no meio da multidão.
Por vezes uma nuca familiar ou um casaco azul igual ao teu.
Como se não bastasse ser traída pelos meus olhos, o meu nariz difere-me repetidos golpes ao encontrar o teu perfume no meio da rua ou nos transportes públicos.
Nos dias em que a minha mente está ocupada, seja com o trabalho ou outras coisas que me rodeiam, sinto-me bem e quase capaz de afirmar que tudo isto vai passar.
Chego a pedir para te esquecer, sem ter a certeza de que é mesmo isso que quero.
Lembrar-me de ti, por mais triste que me faça sentir, recorda-me que um dia fui tão feliz que mal cabia em mim própria.
E quando tudo anda mais calmo lá vem algo que manda por terra toda a paz que consegui conquistar.
Nesses momentos confirmo, apenas mais uma vez, que estás marcado em mim, que talvez sejas uma ferida que nunca vai sair, nem deixar de doer.
A cada sol que nasce, é como se a luz do dia fizesse a pressão suficiente para que este buraco que há em mim nunca se repare, que esta ferida nunca sare.
Por jurar a pés juntos o contrário mas eu nunca me esqueci de ti.

jesus 470 palavras e já me aborreci
vou dormir!
melhor vou ler, sou melhor a ler que a escrever.

1 comentário:

Cupcakke disse...

Ainda li 3 livros dela antes de chegar à conclusão que o problema não era meu mas sim da escrita insossa da senhora.
Não podemos todos gostar do mesmo;)