segunda-feira, 6 de junho de 2011

Bad Boys são como stilettos...

..Atrativos, mas os principais responsáveis por joanetes e entorses graves nos pés das mulheres

Sofia Rijo, sapato nº39 (www.expresso.pt)
9:00 Segunda feira, 6 de junho de 2011

Bad boys always get the good girls... não sei porque acordei eu com esta frase na memória, ainda por cima em inglês. Acho que de deve ao simples facto de conviver com a realidade próxima, no meu círculo de amigas, essa amostra do Universo feminino, tão favoravelmente igual a tantas outras amostras de outros grupos feitos de mulheres.
E afinal, o que nos leva a ficar pelo "beicinho" pelos bad boys, e erradamente renunciar ao discreto e tímido, mas atento, romântico, disponível rapaz da porta ao lado (adaptação lógica à equivalente versão feminina "girl next door").
Na minha opinião é o sorriso malandro, o six pack, os peitorais e o perfil de macho Alfa, que liberta feromonas, as principais responsáveis pela nosso bloqueio mental, com a conversa que sabemos que nos dá a volta, em três tempos, mas que, só porque queremos, gostamos de ouvir.
Meninas! Não há dúvida, somos inteligentes o suficiente, para saber que a conversa deles finda num espectáculo de ginástica acrobática, em trampolim de molas ou cama elástica. Eles têm conversa e nós deixamo-nos levar, só porque sim.
Depois andamos, nos cerca de dois meses que se seguem, com asas nos pés (sim eles normalmente fazem questão de nos levar debaixo do braço), findas as quais nos esperam pelo menos duas semanas de uma valente ressaca, onde aumentamos os lucros aos senhores das empresas de celulose, e não deixamos de ouvir a musiqueta romântica em loop, pela madrugada a dentro.
Só nessa altura é que damos conta que, pelo menos, o Jonnhy Bravo já se tinha metido, com metade das nossas amigas, flirtado com metade do ginásio, frequentado conhecidas pizzarias, japoneses e indianos da capital, e a melhor amiga tem um corner naquele bar in, e duas amigas em silicone, copa D.

Duas semanas, menos cinco quilos

Falei em duas semanas (vá podemos escalar até um mês, com a inflação dos fins-de-semana que custam mais a passar), porque, na minha opinião e experiência, foi esse o meu tempo médio de dor, e sim, porque o coração dói. Durante esse tempo andamos feitas madalenas arrependidas, a estragar a pele do contorno dos olhos, a encher os ouvidos das nossas amigas - elas também em tempos, sofredoras do mesmo mal - onde o "eu disse-te que ele não prestava" é ponto assente.
Deixo aqui, todavia, uma nesga de esperança, estas separações têm uma coisa boa, ajudam a emagrecer. Nada como uma separaçãozinha antes do Verão para perder os quilinhos e ficar perfeita para a praia (e depois não é no Verão que a vida realmente acontece?!). E depois minhas caras, com sorte levamos mais uns meses a dar de caras com outro bad boy ou a responder-lhe ao sms idiota "tenho saudades, quando vamos beber um café"(sim temos uma burra obstinação por esses fulanos), ou então abrimos os olhos e acabamos-lhes com a sorte.
É por esta altura que, se quisermos mesmo, damos uma hipótese ao vizinho do lado, ou ao colega de trabalho, que afinal sempre escondeu a sua faceta de homem irresistível, por detrás da timidez, e não tem, definitivamente, 500 amigas no Facebook e dois amigos. Algo que no fundo sempre nos causou alguma suspeita, mas que não quisemos ver.

Anos depois...

Das duas uma, ou cansamo-nos de torcer os pés, e passamos a andar com saltos de cunha, giros, com um efeito não tão provocador com um stilleto, mas sobejamente mais confortáveis, ou aprendemos a viver com joanetes para o resto da vida, e minhas caras, existe algo mais desastroso para um pé que aquele alto que nos deforma qualquer outro calçado que usemos a partir daí?

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